quinta-feira, maio 17, 2007

r i s e

(Ele não sabe bem quando foi. Cheira-lhe, cheira-lhe, que foi quando deram a mão por entre música e gritos. E daí, talvez não tenha sido. Mas que interessa quando foi a primeira vez? O arrepio continua lá. Espinha acima é que é o caminho. Foda-se!)

sexta-feira, abril 27, 2007

i miss you.


Vivera ali a sua infância, pelo meio daqueles muros pálidos que feriam a vista nos dias de calor constante. Parecia que tinha sido ontem que, carro abastecido e de panela rota, arrancara a toda a velocidade até ver aquela brancura desaparecer no espelho retrovisor, e se fizera à auto-estrada da vida, em busca do seu lugar ao sol. Mas debaixo de um sol que não queimasse tanto, como ali, e não tolhesse os raros movimentos de lavoura, de tentativa de fazer algo produtivo.
A sua partida fora cruel, decerto. Mas não a imaginava de outra forma. Não se via nem nunca se tinha visto amarrada àquele sítio, lavrando a terra entrapada em negro, reclamando da chuva e do sol e vivendo sob os desígnios da natureza, por entre moscas e melgas. Como a mãe. Enquanto ela tinha fugido estrada fora e cheirado o sucesso noutras paragens, a mãe ficara ali, estática no espaço e no tempo, na solidão das horas. Até àquele dia.
Pensara, no longo caminho pela planície, que ao ver a sua mãe descer à terra, se sentiria mal por tê-la abandonado na sua casa e na sua aldeia, no meio do isolamento da pradaria sem fim. Mas agora que via o caixão descendo pelo meio do choro das carpideiras, sentia que tomara a decisão certa. Não que a mãe não lhe fizesse falta. Nada disso. Nem sequer a visitara muitas vezes depois da sua fuga intempestiva e rebelde. Mas bastava-lhe sabê-la presente, ali, naquele fim de mundo. Não lhe importava que estivesse longe como tudo. A certeza de a saber lá, esperando o constante regresso da filha malvada, sempre com os pozinhos do café e do leite à mão para as eventualidades da chegada da fugidia, que nunca soubera como fazer-lhe companhia. Saber que se precisasse de um ombro conselheiro e de um afago terno bastava-lhe fazer-se à estrada e num ápice a mãe faria com que tudo ficasse melhor
As pessoas da aldeia que tinham comparecido ao funeral olhavam-na de lado, como uma estranha. Sabia que elas não lhe perdoavam o abandono prematuro da mãe. Mas ela sentia que a mãe lhe perdoava. Que desesperara à sua espera, na sua cadeira de baloiço, e chorara madrugada adentro, mas que percebera que a sua índole era demasiado explosiva para ser encerrada naquela terra sem futuro, apenas com um passado de resistência às adversidades campestres, sem mais ambição que não fosse colher da terra o sustento e queimar ao sol a pele crestada do trabalho.
As pessoas começavam a dispersar. Por isso, sentiu que estava na hora de abandonar aquele sítio. Solitária, palmilhou o caminho de volta lentamente, medindo cada passo que dava na calçada. Olhava em volta. Já nada a prendia ali. Sem a mãe, aquela terra perdia o seu significado, era mais um nome perdido no mapa, povoada de velhos destroços. Estava na hora de seguir em frente.
Entrou no seu carro, agora topo de gama e novinho em folha, e avançou em direcção à saída da aldeia. Acelerou a fundo, mas depois abrandou bruscamente, e olhou o espelho retrovisor. Na bruma que saltava do alcatrão fervilhante, uma mulher de negro abanava um lenço, paz estampada na cara e meio sorriso. Ela fechou os olhos, abriu o vidro e respirou fundo e pela última vez o aroma do seu porto de abrigo. Cheirou-lhe a terra, à fruta madura que apanhava na casa do vizinho, ao perfume da mãe, às quedas que deu da única árvore do seu terreno, à sua casa doentiamente limpa, aos cozinhados da mãe, ao primeiro beijo com o rapaz mais bonito da aldeia que tinha três dentes tortos, à primeira ida à escola, ao seu primeiro cigarro, ao verão tórrido, ao Inverno polar. A sua infância num só suspiro.
Depois acelerou novamente, e pensou ouvir o som da panela rota, enquanto os seus cabelos esvoaçavam como outrora, carregados de sonhos e ilusões.

terça-feira, abril 24, 2007

how to save a life.


Odeio casais felizes.
A maneira como se passeiam ostensivamente na rua, mão entrelaçada e olhar sonhador. O modo como entram sorrateiramente no cinema e se põem à minha frente, gemendo deliciosamente. Como se olham intensamente, sem falarem, comunicando telepaticamente sentimentos recentes e com laivos de eternidade. A maneira como brilham mais que todos os outros. Como se beijam torridamente no início, no meio e no fim do seu tete-a-tete, como se quisessem parar naquele momento para sempre e nunca mais sair dele, fotografá-lo e emoldurá-lo com pompa e circunstância no meio de uma salva de palmas. O modo como sonham e mordem o lábio de desejo e saudade. A maneira como gritam no vácuo da sua imaginação o nome da pessoa amada. A maneira como ouvem uma música on and on porque a escolheram para simbolizar o seu amor. O facto de não se largarem. O modo como se beijam ternamente num semáforo que dura três segundos e meio, e riem entusiasticamente quando a pessoa de trás (eu) apita freneticamente, que tenho uma vida lá fora. A mania de ajeitarem o cachecol e o chapéu um do outro, para que tudo rime e nada soe falso. O apego constante ao telemóvel, o sorriso quando atendem que não se apaga quando desligam, a raiva e as lágrimas quando a bateria falha. A maneira como dizem o nome da pessoa amada, com mel e sonoridade únicas, fazendo o nome propagar no ar e zunir nos ouvidos, perfeito e límpido. Os joguinhos de sedução em que um finge que não quer nada com o outro mas afinal já quer e fica chateado quando o outro não quer e chora baba e ranho e depois descobre que afinal foi tudo um equívoco que a pessoa nunca se foi embora e que o seu gâmbito de ser feliz para sempre ainda se pode realizar a tempo e horas. O facto de acharem tudo uma seca se o consorte não estiver presente, a maneira como correm em direcção ao fim do mundo para vê-lo, nem que seja por dez minutos. A maneira como se seguem para todo o lado, lapas recheadas de sillyness, rindo por tudo e por nada com um riso bem colocado e audível, para que todos percebam que estamos perante a felicidade alheia. A quantidade de vezes que ela escreve o nome dos filhos com os nomes próprios e os quatro apelidos perfeitos para melhor se adaptarem à vida perfeita na casa perfeita com os cães perfeitos, os carros perfeitos, os empregos bem remunerados e reluzentes de tão perfeitos, as empregadas portuguesas e perfeitas, o jardim perfeito e a escola perfeita, tudo a condizer numa bimbice cor-de-rosa e bege. A maneira como ele a enche de presentes idiotas que ela olha com cara de má porque acha um desperdício de dinheiro, mas que não lhe faz muita impressão porque a sua ideia de perfeição familiar tem que começar por algum lado. O modo como morrem um pelo outro, os ciúmes idiotas que sentem de cada barata que se aproxima, o medo que têm de chegar ao fim da linha e saber que todo o verão tem um fim. A mania de que esse dia nunca vai chegar.

(mas não consigo deixar de sorrir apanascadamente por detrás dos meus óculos de sol quando os vejo subindo o Chiado, ela apoiada no braço dele, agarrando para não largar, rindo para o sol, e a ele, rindo condescendentemente para ela, feliz da tarde perfeita dourada pela luz solar ainda mais perfeita que só pode augurar, ora essa, a perfeição de toda uma vida. Ai! [suspiro]).

domingo, abril 01, 2007

the pursuit of happiness


“a felicidade são momentos, pá”, disse ela, sorrindo.
Claro que são momentos. Senão metade de nós andava a bater com a cabeça nas paredes, abrindo fendas no nosso coração, enquanto não ouvíamos o galope do cavalo da luz. Isto se ele viesse. Que se não, fenda mais fenda dá ruína total, e morte no deserto por falta de água.
Os momentos matam-nos a sede, dão-nos mais umas indicações na areia, lambem as feridas, remendam os trapos. E fazem-nos crer que para lá da areia branca e infinita há um oásis, onde poderemos finalmente cair para o lado com a certeza de dois braços prestáveis e fortes para nos segurar.
Mas que fazer quando até esses momentos preciosos se esvaem por entre os dedos? Cair na areia e secar ao sol?
Nunca.

sábado, março 24, 2007

Just keep trying, it’s just a matter of timing.


Cinco segundos antes, arrependeu-se. O seu pé preguiçoso estendeu-se e alcançou a vida novamente. Travou a fundo em cima do risco, e, cobardemente, fechou os olhos, num medo nunca antes sentido. Quando viu de novo o mundo, descobriu-se vivo. Não soube se devia rir ou chorar, por isso limitou-se a jazer sobre a poeira dos pneus alemães, recostando-se no seu banco alargado pelo tempo.
Não soube explicar a travagem súbita. Quando tinha premeditado aquilo trinta vezes seguidas sem cessar, de sorriso nos lábios. Estúpido.
Acendeu nervosamente um cigarro e abriu a janela, inspirando o ar da noite muda. Acalmou-se um pouco, suspirou longamente, e ligou o carro.
“Talvez para a próxima”, pensou, e varreu a noite com os faróis acesos, avançando em marcha lenta estrada fora.

domingo, março 11, 2007

volta depressa, por favor.


Tinha chegado a hora. Tremendo por detrás dos seus óculos de sol, com dezenas de olhos cravados em si, apertou a pequena caixinha de madeira contra o seu peito. Toda a sua vida estava ali. A sua razão de respirar ainda e sempre cada sopro de ar. Temia engasgar-se, agora, sucumbindo às agruras da existência, perecendo sobre o sol dourado daquele dia de primavera e caindo daquela colina verde sobre o mar sereno.
Nas suas costas, uma pequena multidão negra aquietava-se, aguardando o culminar da cerimónia, cegando debaixo da luz do sol
Alguém tossicou levemente. Ela acordou do seu torpor de inércia, ergueu sua face para o alto e respirou fundo. Depois, calmamente, abriu a sua caixa preciosa. Por um momento pareceu vacilar, mas recompôs-se. Pegou num punhado de cinzas, e pousou-o no vento, num gesto enérgico e elegante.
Observou as cinzas esvaindo-se no ar, levadas pelo vento até à linha do horizonte daquele mar tão perfeito. Extasiada, alcançou punhados e punhados de cinzas, e, num último sorriso, pegou na caixa e despejou tudo nas asas da ventania.
Nunca se sentira tão triste e tão feliz como naquele momento. Chorou no meio do maior sorriso de sempre, observando a paisagem que ela escolhera. Perfeita, claro. E por isso mesmo a sua tristeza acabou por se desvanecer. Iria morrer de tédio sem ela, mas sentia-a onde queria, levada para sempre pelas correntes, sendo livre e solta de tudo. Estava entregue ao seu destino.
Olhou uma última vez o pôr-do-sol, numa despedida derradeira que demorou largos minutos. Por fim, virou-se e encarou a multidão.
- Vamos?,
e avançou resoluta pelo meio deles, de sorriso em punho e lágrima escondida atrás das lentes.

sábado, fevereiro 24, 2007

dancing in the moonlight.


No meio da turba, destacavam-se na escuridão, dançando lentamente o ritmo das suas almas. Enlaçados, parados no tempo, rostos extasiados, envolvendo-se um no outro num abraço. Como num sonho. De olhos fechados, descobriram-se sem que mais ninguém se apercebesse, no meio da multidão excitada que pululava sem descanso, indiferente.
De vez em quando olhavam-se nos olhos. E brilhavam como duas estrelas, confundindo-se com os relâmpagos epilépticos da multidão. Depois voltavam a agarrar-se, com força e pujança, para que aquele momento ou a memória dele nunca saísse disparada numa correria desenfreada e permanecesse imóvel e imutável para sempre.


Para sempre... tudo é eterno enquanto dura!

sábado, fevereiro 03, 2007

why do all good things come to an end?

Tinham sido dias de sol. Eternamente douraram sob a luz do dia, óculos de sol e roupas largas e claras, jazendo na relva. De mão dada. Sempre. Quem lhes dera ficar ali até ao fim da vida. Sem se mexerem, olhando alternadamente o céu imaculadamente azul e a tez perfeita de cada um. Mas não. O mundo não funciona assim. Um dia zangaram-se, atiraram estalos e palavras um ao outro, raivas absurdas que jamais pensaram sentir. O sol acabou, agora a chuva, penosa e molhada, sem sentimentos. De testa colada no vidro, olhos castanhos expressivos, abatidos no chão triste, observavam, sem saber, o mesmo rio de roupas escuras e cinzentas, fazendo suas as lágrimas do céu.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

may be.


Deitada na sua cama, abafada nas mantas, permanecia parada, pensativa.
Fora naquele dia que tudo começara verdadeiramente. Aquele carro, aquela música. Outrora com um constante medo da vida, e sem nunca saber o que fazer a seguir, suspirou e fez-se à estrada, chorando copiosamente. Abrira a janela de par em par e os seus cabelos flamejantes ao vento deixaram-se ir, livres e brilhantes, resistentes a tudo.
Toda a sua vida se surgiu perante si, como um filme que jamais alguém ousara cortar. Uma vivência de um só take, observada, inóspita, feliz, amargurada e resignada. Uma mistura ambivalente de sentimentos que agora sentia serem parte da vida, estrada que foi desbravando aos poucos.
Fora perdendo aqueles que jamais a tinham perdido. Revolta inicial, decerto. Anos e anos sem saber o que fazer, bradando aos ventos, levantando as mãos para o alto, sem consolo que a erguesse da letargia que insistia em alheá-la do mundo dos vivos. Mas percebia agora, na calma da sua idade, todo o significado de uma vida: a morte. Ela estava sempre aguardando, cajado na mão para não se cansar e barrete na cabeça para passar despercebida. Não adiantava gritar-lhe, tentar evitá-la ou afogá-la em lágrimas de dor por quem perecera perante a Força. The show must go on. O Verdadeiro Caminho estava noutra direcção, produzir algo de útil enquanto não fechávamos os olhos e nos calávamos para sempre, mudos de espanto. Se não útil para os outros, pelo menos útil para nós, que nos realizasse e deixasse viver de queixo erguido e passada decidida e demolidora. Uns têm mais tempo, outros extinguem-se ao virar da esquina, tropeçando na velha senhora. Mas todos tentavam aproveitar e queimaram-se alegremente, tal como ela, porque sem queimaduras, como sabemos que estamos vivos?
Tentou remexer-se mais uma vez, mas não foi capaz, e, num último suspiro de vida, sorriu com os olhos, docilmente, fechando-os depois para sempre, que o caminho fora longo e as saudades de quem tinha perdido estrada inóspita fora eram mais que muitas.

sábado, janeiro 06, 2007

toma.

Why do I even give a fuck to what that shit head has to say? She's got no friends and no life, just plenty of cash to spend and a list of people that she uses at her own will. Next time she cries like that, i'll sit on her face until she dies. Get a life!, ou em bom portugues, VAI-TE FODER.

(suspiro.)

terça-feira, janeiro 02, 2007

wish i was there.


Tropecei alegremente em direcção à janela, mar na cabeça e calor no coração. Vidro escancarado, pézinho lá fora, e nada de relva. Olhos abertos: esbarrei no prédio em frente. Fuck.

O que vale é que tu tentaste pôr o cinto no autocarro. Não, não sou o único.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Baskerville Walsh.

Durante anos ninguém se lembrou que existia. Desde que caíra daquele prédio, mergulhado na mais pura letargia alucinogénica, até se esvair em cinzas, sempre um desprezo do mais puro que existe.
A princípio entristeceu-se, sim. Pensou em adormecer para sempre, fundir-se com o ar e desaparecer com o vento do Norte. Depois chegou quase a habituar-se. Não hábito de não ficar magoado, mas hábito de lhe ser indiferente. Para quê chatear-se? Vivia na margem, e nunca ninguém lhe reconheceria mérito. Mais valia passar a eternidade em descanso e sem sonhar com mundos e fundos inalcançáveis à sua metáfora de pessoa.
Um dia, no entanto, e contra todas as possibilidades, alguém precisou da sua ajuda. Alguém precisou dele. Nem queria acreditar quando F. se aproximou, intrigado, e pegou em si, espalhando-o falsamente naquele sítio. Sentiu-se extasiado. E encontrou finalmente uma razão para ‘viver’. Não que esperasse que mais alguém precisasse de ajuda. Claro que não, era impossível. Mas ao menos já ajudara outrém, marcara uma vida. E isso seria coisa que nunca iria esquecer.

terça-feira, dezembro 26, 2006

domingo, dezembro 17, 2006

sam.

Correu tao rápido quanto conseguiu. Virou a esquina, entrou no elevador no último minuto. Sentiu que não aguentava. Quando as portas se fecharam com um barulho cortante, chorou. Debulhou-se em lágrimas estúpidas e irracionais. Encostou-se ao aço frio, arrepiou-se. E verteu mais uma lágrima, que, obesa, escorreu lentamente pela bochecha e abateu-se brutamente contra o chão. Escorregou pela parede, cara enfiada nas mãos.
De súbito, ergueu-se. Ajeitou o cabelo, limpou a cara, e sorriu. Pronto. Já tinha passado.
As portas abriram-se novamente, no rés-do-chão; sorridente, e de altivez em punho, avançou pelo átrio, desaparecendo na luz do meio-dia.

sábado, dezembro 02, 2006

the cost of living.


"I ask for no forgiveness, Father, for I have not sinned. I have only done what i needed to do to survive. A small boy once asked me if I was a bad man. If I could answer him now, I would tell him that when I was a young boy, I killed a man to save my brother's life. I am not sorry for this. I did not ask for the life that I was given, but it was given, nonetheless, and with it I did my best."

domingo, outubro 15, 2006

oh no, what's this?

Subiu a escada a correr e tentou abrir aquela porta, cúmplice de tantas entradas furtivas. Fechada. Em vão a abanou com todas as suas forças. Tomou balanço e atirou com a porta casa adentro, sem dó nem piedade. Correu pelo apartamento, os seus passos soando almariados no soalho de madeira. Empurrou com estrépito e abateu-se de súbito. A cama. Vazia.
Gritou. Esperneou. Voltou a gritar. Bateu com fúria os punhos no chão, magoou-se. Depois deixou-se ficar, gemendo a sua mágoa, naquele sítio que vira os seus momentos de glória e êxtase. Nunca mais.

Foi então que, num ronco suspirado, acordou, encharcado no seu próprio suor. Repirava ruidosamente. Olhou para o lado, e descansou a sua aflição. Ela estava ali, repousando suavemente, respirando sem ruído.
Levantou-se e caminhou com leveza até à varanda. Respirou o ar da noite, acalmou-se e espirrou no silêncio do Largo. Voltou então para dentro, fechando cuidadosamente a janela. Subiu para a larga cama e aninhou-se. Depois abraçou-a.
Ela mexeu-se lentamente, encostou-se. E ele chorou, lágrimas a cair-lhe quatro a quatro pela cara rugosa.
É horrível termos o que queremos.
"Porque é aí que temos alguma coisa para perder", e soprou, amedrontado.

sábado, outubro 07, 2006

hmm.

"É liberdade pr'aqui, é liberdade pr'ali. Toda a gente diz, toda a gente quer. Mas querendo ou não, ninguém lhe dá a mão, e todos querem a prisão de uma mulher. É tudo fruto da nossa natureza, e quem não é a sua negação. O diabo chegou e humildemente a deus falou: não somos Eva nem Adão. O amor é isto; o amor é isto e nada mais!"

sexta-feira, setembro 22, 2006

Did my heart love till now?

"Forswear it, sight. For i never saw true beauty till this night."

despite all my rage...



... would you please disarm me?

sábado, setembro 16, 2006

Num instante diminuto, tudo me volta à memória. As sirenes, os gritos, os vultos, tudo numa revolta de movimentos de quem vê mas não sabe o que vê porque não sabe o que se passa nem porque se passa. Barulhos infernais que me atordoam o intimo, a vontade de perguntar o que aconteceu mas a incapacidade de balbuciar um único som salvador. E apenas um pensamento...: Mariana.